A riqueza de um homem.

“Quando encontraram Mário da Silveira
na mortalha de suas vestimentas,
notaram que o jovem poeta,
coroado de rosas e de espinhos,
carregava consigo um de seus sonetos,
e eu, ao lê-lo, hoje,
noto que ele morreu ricamente,
tendo poesia sobre seu peito!”

Mário da Silveira, poeta, nasceu em Fortaleza, Ceará, em 17 de setembro de 1899. Na noite de 22 de julho de 1921, com um pouco mais de 21 anos, é brutalmente alvejado por cinco tiros em plena Praça do Ferreira, o “coração da cidade”.

A poesia acima, “A riqueza de um homem“, foi escrita por mim na consternação de conhecer o trágico fim de um dos mais célebres poetas cearenses… O livro que reúne todos os poemas de Mário da Silveira, “Coroa de Rosas e de Espinhos“, é um dos livros de poemas mais vislumbrantes que li!…

Sobre a figura do l’enfant terrible fortalezense, diz, Antônio Sales: “Ninguém soube ler nas sombras de sua vasta fronte, onde os grandes olhos belos e tristes, faiscavam de talento e de mágoa, a história íntima de sua existência, que ele encobria pudicamente, como por um requinte de pudor estético. (…) Sim, havia alguma cousa de forte, de novo e de belo, alguma cousa de precioso, que se perdeu para sempre, como um tesouro que de repente se sumisse na profundeza insondável do mar.”

“Eu sei que tudo é como o fumo leve:
Foge… mas, porque a vida seja breve,
Há sempre um dia mais para quem ama.”
— Mário da Silveira,
Coroa de Rosas e de Espinhos, 10°.

Anúncios